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DIA 10 DE JULHO DE 2013
HORÁRIO: 14:00 ÀS 17:00 H
Número máximo de vagas: 40
Número mínimo de vagas: 05
Valor R$ 50,00 (Profissionais e Estudantes)

ALBANA PAGANINI PARADEDA – VERSÕES E MOVIMENTOS DA ANGÚSTIA. OS TRANSTORNOS DA EXPRESSIVIDADE MOTRIZ NEGATIVA

ALBANA PAGANINI PARADEDA – Universidad Diego Portales – Santiago do Chile
VERSÕES E MOVIMENTOS DA ANGÚSTIA. OS TRANSTORNOS DA EXPRESSIVIDADE MOTRIZ NEGATIVA

Este mini-curso pretende desencadear reflexões e discussões a partir de uma pesquisa desenvolvida na Clínica da Faculdade de Psicologia da Universidade Diego Portales, de Santiago do Chile, com crianças de 5 e 6 anos de idade de uma escola municipal, diagnosticadas com TDHA. Os critérios de diagnóstico utilizados foram aqueles propostos no Plano Nacional de Saúde Mental do Chile, e incluem os indicadores do DSM o e teste de Conners.
Partimos de um dispositivo terapêutico baseado no diálogo entre a Psicanálise e a Psicomotricidade – sem que cada uma das disciplinas perca sua própria particularidade.  Nosso interesse é investigar a função do movimento nos processos da construção psíquica, com o intuito de construir uma reflexão sobre a clínica atual ligada aos transtornos da expressividade motriz. Utilizamos o termo de Aucouturier “expressividade motriz”, pois a palavra “hiperatividade” tem sido mal empregada pelo DSM e impede a diferenciar a diversidade das “hiperatividades” ou a passividade motriz. A clínica nos ensina que há diversas hiperatividades que respondem a processos e funcionamentos psíquicos heterogêneos.
O mini-curso será desenvolvido a partir de 3 eixos:
1.    Contexto histórico, diferenciação entre psicopatologia e psicopatologização;
2.    Apresentação da pesquisa (registro audiovisual);
3.    Fundamentos Clínicos. Desconstrução da função motriz, do ato à figurabilidade psíquica.

BEATRIZ JANIN – O SOFRIMENTO PSÍQUICO EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES E OS DIAGNÓSTICOS INVALIDANTES

BEATRIZ JANIN – Universidad de Buenos Aires; Forum Infancias Argentina
O SOFRIMENTO PSÍQUICO EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES E OS DIAGNÓSTICOS INVALIDANTES

Nesta época há muitas crianças e adolescentes que não prestam atenção, se movem sem rumo e que desafiam todas as normas. Frente a isso temos que pensar quais são as determinações psíquicas e sociais dessas condutas e de que modo essas crianças e adolescentes estão nos contando o que sentem e as situações que não podem resolver.
Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Transtorno Desafiador Opositivo (TOD), são as siglas com as quais as crianças ficam impedidas de se expressar sobre o seu sofrimento. Também muitas crianças apresentam dificuldades na aquisição da linguagem e são diagnosticadas com Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD).
É por isso que é fundamental escutá-las e refletir sobre os seus sofrimentos para não estigmatizá-las, nem aprisioná-las em diagnósticos invalidantes que restringem o futuro.
O psiquismo é uma estrutura aberta ao mundo. E o mundo é para a criança, em grande medida, os outros que a rodeiam, marcados por sua vez, por uma sociedade e uma cultura.
Na época atual, em uma sociedade que se idealiza o êxito fácil, a competência, o individualismo, o consumo e a imagem, em que há excesso de informação, em que os ritmos são vertiginosos, em que a exclusão é temida, o que acontece com as crianças?
As crianças que não respondem às exigências da atualidade são diagnosticadas como deficitárias, medicadas e expulsas das escolas. Já não “se portam mal”, mas teriam um déficit, não é que são inquietas, mas sofreriam de um transtorno, não se distraem, mas teriam uma enfermidade...
Há dois supostos que regem este modo de diagnosticar: 1) A criança foi assim desde sempre (Esta ideia supõe o apagamento da história e das determinações intersubjetivas, tanto sociais como familiares), 2) Será assim sempre (Esta ideia implica no escurecimento das crianças como sujeitos em transformação e com um futuro aberto).
Há nisso várias violências em jogo:
•    em primeiro lugar, as crianças sofrem os embates do mundo adulto
•    esse embate produz nelas certas consequências que não podem tramitar sozinhas
•    isso promove que os adultos tentem silenciá-las e que as diagnostiquem e as mediquem por isso.
Frente a isso, trabalharemos no curso sobre as determinações da desatenção, da hiperatividade, das condutas desafiantes, assim como das dificuldades de aquisição da linguagem.
Restituir a ideia de crescimento como potência, como esperança, pode facilitar que a criança se lance na aventura da aprendizagem, nos labirintos dos vínculos com os outros, que possa construir e construir-se e que sustente desejos.

BEATRIZ DE PAULA SOUZA – ORIENTAÇÃO À QUEIXA ESCOLAR (TURMA A)

BEATRIZ DE PAULA SOUZA – Mestre em Psicologia; Serviço de Psicologia Escolar USP; GIQE
ORIENTAÇÃO À QUEIXA ESCOLAR

Será apresentada a Orientação à Queixa Escolar -OQE, uma modalidade de atendimento psicológico a crianças e jovens que enfrentam dificuldades em seu processo de escolarização, breve e focal. Orienta-se por uma referencial de compreensão e intervenção em queixas escolares, a partir de demandas individuais, que leva à radicalidade a concepção do Homem como ser que se constitui na relação com o Outro de modo singular. Será apresentada em seus pressupostos teórico-práticos essenciais.
Nesta abordagem, realiza-se o atendimento de todos os principais envolvidos na rede de relações que produz e mantém ou aprofunda a queixa -geralmente, criança/adolescente, pais e escola. No encontro das diferentes versões surgidas, a queixa é historicizada e problematizada e novos olhares são construídos. Considera-se as diversas dimensões da mesma e suas mútuas determinações, do sofrimento individual aos atravessamentos institucionais e sociais. Pensar o cotidiano da sala de aula tem-se revelado fundamental, assim como o resgate da potência de cada um dos implicados. Perguntas e instrumentos próprios têm sido desenvolvidos.
A medicalização da Educação, a que a OQE vem se contrapondo, merecerá um destaque especial, dado seu notável crescimento recente no âmbito das abordagens às queixas escolares. Assim, a apresentação será feita sempre apontando em que e de que maneira as concepções e práticas expostas constituem uma abordagem antimedicalizante.

CLAUDIA PERROTTA – DIVERSIDADE DE ESTRATÉGIAS UTILIZADAS PARA COMPREENSÃO E PRODUÇÃO TEXTUAL

CLAUDIA PERROTTA – Associação Palavra Criativa
VERA VITAGLIANO R. TEIXEIRA
DIVERSIDADE DE ESTRATÉGIAS UTILIZADAS PARA COMPREENSÃO E PRODUÇÃO TEXTUAL

O objetivo da oficina é trabalhar com a leitura e a escrita dos participantes, de modo a despertá-los para as diversas questões envolvidas na produção e compreensão de textos, tais como: para quem são dirigidos (público leitor); onde serão publicados (esferas de atividade humana: jornal, internet, academia, etc.); quais as intenções do autor (opinar/convencer; informar; narrar, etc.), e, principalmente, a diversidade de estratégias utilizadas para criar sentidos durante a leitura. É também objetivo da oficina oferecer parâmetros para que os educadores e/ou terapeutas possam compreender os diversos e singulares processos de letramento de seus alunos e/ou pacientes, de modo a desmistificar, desconstruir e questionar supostos quadros de dislexia. Para tanto, serão lidos e analisados textos selecionados pelas coordenadoras, inclusive de crianças e jovens, e solicitadas produções escritas por parte dos participantes, as quais serão posteriormente discutidas no grupo.

CHRISTINE DAVOUDIAN – PRECARIEDADE NÃO É SINÔNIMO DE VULNERABILIDADE. EFEITOS DELETÉRIOS DA CONFUSÃO DE GÊNEROS

CHRISTINE DAVOUDIAN – Médica; Collectif Pas De Zero De Conduite, França
PRECARIEDADE NÃO É SINÔNIMO DE VULNERABILIDADE. EFEITOS DELETÉRIOS DA CONFUSÃO DE GÊNEROS

A função dos PMI ( Centros de Proteção Materno-Infantil) nos leva, por um lado, a assumir o acompanhamento pré natal e, por outro, a receber bebês e crianças até 6 anos nestes centros medicais de prevenção. O público que frequenta esses centros é vasto e variado. Sendo gratuito e de fácil acesso, atraem, em sua maior parte, um público em precária situação social. Nos últimos anos, temos acolhido um público em grave situação de exclusão social (isto é, sem documento de autorização de estadia na França). Nossa função é essencialmente direcionada à prevenção. Sabemos que a questão da prevenção é sempre delicada quando cruzamos o espaço “eticamente” frágil dos riscos “psicossociais” e que se torna ainda mais complexa na área do pré-natal, uma vez que podemos cair na tentação de avaliarmos estes laços mãe-bebê na direção com vistas a uma predição.
Ora, devemos atentar ao fato de que a precariedade não é sinônimo de vulnerabilidade. É óbvio que a grande precariedade pode levar à vulnerabilidade, mas, na verdade, nada nos diz sobre a estrutura psíquica do sujeito : ela pode acionar e intensificar resistências, fragilizar e até mesmo “melancolizar” aqueles que sempre acreditaram « nada ser. » Estes, na maior parte vítimas de maus-tratos diversos deveriam receber acompanhamento específico. É previsível que uma situação de grande precariedade pode gerar isolamento e se traduzir em sofrimento psíquico. Mas que ela necessite « à priori » um acompanhamento psicológico, psiquiátrico ou médico, sem nenhuma avaliação clínica, é uma visão muito discutível. Considerar os indicadores socioeconômicos ou culturais como indicador da qualidade de relação pais e filhos constitui um princípio perigoso. Antecipar uma patologia como decorrente de uma situação social frágil é uma ofensa à pessoa e ao pensamento e, também, perigoso aos pacientes, podendo conduzir à decisão e medidas inadequadas, e, como consequência, criar efeitos ocultos, porque o que está presente na ótica de um cuidador tende a produzir efeitos no encaminhamento daquele que é por ele cuidado. Podemos, legitimamente, nos questionar sobre até onde a representação de um profissional que observa uma dupla « mãe bebê » como « potencialmente patológico » pode ligá-los a um determinado destino que pode torná-los sim mais vulneráveis. Temos encontrado no cotidiano desta clínica, nestes pacientes, forças de superação às adversidades. Devemos reconhece-las e ajudá-los, sem cair na derivação preconceituosa. Devemos, portanto, a todo instante, rever nossas representações e práticas. Por fim, não devemos esquecer que a precariedade é ligada a medidas políticas que “precarizam”, marginalizam, e geram exclusão social. Elas não fornecem respostas suficientes à integração na sociedade. É por essa via que evidentemente, devemos pedir e encontrar soluções.

FELIPE STEPHAN LISBOA – ENTRE O NORMAL E O PATOLÓGICO: DAS CONCEPÇÕES TRADICIONAIS ÀS TENDÊNCIAS CONTEMPORÂNEAS

FELIPE STEPHAN LISBOA – Psicólogo, Mestrando no Instituto de Medicina Social da UERJ, Blog “Psicologia Dos Psicólogos”
ENTRE O NORMAL E O PATOLÓGICO: DAS CONCEPÇÕES TRADICIONAIS ÀS TENDÊNCIAS CONTEMPORÂNEAS

Pretendemos, neste minicurso, proporcionar uma reflexão sobre as principais concepções de normal e patológico e de saúde e doença no campo psi. Para tanto, tendo como fio condutor as reflexões do filósofo Georges Canguilhem, faremos um panorama pelas inúmeras formas em que essa questão foi abordada no decorrer da história, desde as concepções positivistas e normativas até as perspectivas biológicas e neurocientíficas contemporâneas. Identificamos, na formação na área da saúde, a falta de uma sólida discussão conceitual e prática acerca das fronteiras entre o normal e o patológico. Observamos que, para muitos profissionais, os transtornos mentais são considerados entidades objetivas, dotadas de vida própria e dispostas a quem quiser enxergar. Parecem desconsiderar as determinações sociais, políticas e econômicas que contribuem para as definições de normalidade, patologia, saúde e doença. Este minicurso pretende, assim, introduzir as principais problemáticas relacionadas a esta questão, de forma a estimular os participantes a refletirem sobre as próprias concepções e práticas.

FLAVIA CRISTINA SILVEIRA LEMOS – BIOPOLÍTICA E MEDICALIZAÇÃO DA INFÂNCIA E DA FAMÍLIA...

FLAVIA CRISTINA SILVEIRA LEMOS – Doutora em psicologia; Docente da UFPA - BIOPOLÍTICA E MEDICALIZAÇÃO DA INFÂNCIA E DA FAMÍLIA: EFEITOS NOS DIREITOS DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES, NO BRASIL
Breve história das crianças e da família. Biopolítica e biopoder. Medicalização da família, da infância e das mulheres: efeitos na política de proteção às crianças e adolescentes, no Brasil, na Nova República. Gestão de risco e dispositivos de segurança na governamentalidades de crianças e adolescentes pela família, no capitalismo neoliberal. Agências multilaterais e governo das condutas pela medicalização da Infância classificada como em perigo e como perigosa.

GISELA UNTOIGLICH – CRIANÇAS DESATENTAS E HIPERATIVAS: VERSÕES ATUAIS DO SOFRIMENTO INFANTIL

GISELA UNTOIGLICH – Universidad De Buenos Aires
Forum Infancias
CRIANÇAS DESATENTAS E HIPERATIVAS: VERSÕES ATUAIS DO SOFRIMENTO INFANTIL
Na atualidade, a desatenção e a hiperatividade são os motivos mais frequentes da procura por consultórios direcionados à população infantil. Assistimos a um predomínio de uma modalidade de diagnostico exclusivamente dirigido pelas condutas observáveis, abstraído da história e dos contextos social e escolar. Isso produz etiquetamentos nos momentos nos quais a criança está se constituindo como sujeito, e a impossibilidade de alojar o sofrimento infantil.
A proposta é convidar profissionais e estudantes universitários que se interessam pela problemática da infância contemporânea a realizarem uma revisão crítica das “novas categorias diagnósticas    “, colocando em relevância os conceitos de subjetividade, história e contexto social, a partir do debate promovido pelas pesquisas recentes. O minicurso propõe interrogar, a partir de uma perspectiva psicanalítica, a quê estão atentas as crianças que não atendem ao que os adultos esperam e por quê uma criança não pode parar de se mover,  as diferenciando do diagnóstico de TDHA  e apontando propostas de abordagens que inter-relacionem os aspectos psíquicos, educacionais e histórico-sociais.
Nesse espaço ofereceremos ferramentas teórico-clínicas para que os profissionais que desenvolvem seu trabalho tanto em consultórios quanto em instituições educacionais construam novos modos de intervenção que possibilitem o trabalho com as problemáticas que nos colocam as crianças na atualidade.
Objetivos:
•    Oferecer um espaço de intercâmbio teórico-clínico entre profissionais e estudantes de áreas distintas.
•    Aprofundar o debate sobre temáticas ligadas à produção subjetiva e constituição do psiquismo, a história vincular e os atravessamentos biopolíticos.
•    Promover, entre os profissionais da saúde e da educação, a reflexão crítica sobre os “novos diagnósticos”.
•    Incluir, no debate sobre o sofrimento infantil, o paradigma da complexidade, para poder pensar a partir daí as questões de atenção e a hiperatividade.
•    Construir estratégias de trabalho que possibilitem a inclusão de crianças nas escolas e o trabalho com os pais.
Temas:
•    Mal-estares infantis na atualidade;
•    O lugar do diagnóstico infantil;
•    Patologização da infância;
•    Por que cada vez mais crianças não podem atender ao que a escola espera? A quê  estão atentas as crianças que não atendem ao que a escola espera?
•    Por que algumas crianças não podem parar de se mover?
•    Como construir uma escola que contemple a diversidade?

JOSEPH KNOBEL FREUD – COMO TRABALHAR COM OS PAIS. TER FILHOS. ENTRE A REALIDADE E O DESEJO

JOSEPH KNOBEL FREUD – Espai Freud, Espanha
COMO TRABALHAR COM OS PAIS. TER FILHOS. ENTRE A REALIDADE E O DESEJO

O trabalho com os pais desde a psicoterapia.
Como ajudá-los a entender o que se passa com seus filhos sem precisar colocar-lhes uma etiqueta, um diagnóstico psiquiátrico em que a criança permaneceria “capturada”?
Como trabalhamos quando uma mãe diz “Tenho um TDAH”, em lugar de “Meu filho foi diagnosticado com TDAH”?
Como trabalhar com os pais, o lugar que seus filhos ocupam em suas vidas?
Como trabalhar com os pais quando algo do que está acontecendo com seu filho fere o narcisismo dos pais?

JUAN VASEN – INTERVENÇÃO COM PSICOFÁRMACOS: PARA QUEM, COMO, QUANDO, POR QUE

JUAN VASEN – Hospital Tobar em Buenos Aires
Forum Infancias, Argentina
INTERVENÇÃO COM PSICOFÁRMACOS: PARA QUEM, COMO, QUANDO, POR QUE

Objetivo: Discutir situações e critérios que nos colocam a necessidade ou a conveniência de medicar. Mas sempre respeitando o direito de não ser medicada de cada criança e de sua família
Síntese
Pensar a intervenção psicofarmacológica como uma ferramenta para abrir uma “janela” para poder intervir através do jogo ou da palavra, quando a carapaça do autista, o caos assombrado da psicose, o descontrole da impulsividade ou o manto da depressão não nos deixam espaço para fazê-lo – mas nunca como única forma de intervenção.
A doença é uma situação e não uma condição; devemos atender a todos os componentes que a configuram. O que sofre, pensa e sente é a criança em situação, e não o cérebro. Há muito mais em jogo que os neurotransmissores, ainda que estes estejam implicados.
Intervimos no espaço inter-sináptico, alternando um equilíbrio ou desequilíbrio habitual (gozoso) para gerar outro mais aberto ao prazer e à realidade. A intervenção psicofarmacológica pretende restaurar uma ordem, restituir a saúde, desde uma perspectiva tradicional da medicina, em que se busca restaurar a unidade e harmonia perdidas, muitas vezes sufocando o estranho.
Os psicofármacos atuam exclusivamente sobre os sintomas. Denominá-los, por exemplo, “antipsicóticos”, diz mais a respeito do desejo de quem os produz do que às suas qualidades. Eles não atuam sobre a(s) psicose(s), e sim sobre seus sintomas. Nessa medida, podem atenuar delírios, alucinações ou a desorganização própria de alguns quadros, mas não os “curam”.
A psicanálise procura antepor a isto um compromisso com as verdades subjetivas. Essas verdades expressam uma singularidade que não encontra seu lugar no acervo representativo ou na trama conceptual prévia do sujeito. A psicofarmacologia, por outro lado, assenta sua práxis sobre um saber específico e particular. É um conhecimento particularizado, que encontra representação em um campo conceptual.  É um saber que objetiva um ser, frente aos modos de “desocultamento” do que se dá, em uma análise. É esse o horizonte de alcance da intervenção psicofarmacológica: o da particularidade.

LIGIA MOREIRAS SENA – MÃES/PAIS/CUIDADORES, A INTERNET E A MEDICALIZAÇÃO

LIGIA MOREIRAS SENA – Mestre em Psicobiologia, Doutora em Neurofarmacologia
Blog “Cientista Que Virou Mãe”
MÃES/PAIS/CUIDADORES, A INTERNET E A MEDICALIZAÇÃO
De que forma a medicalização está presente nos discursos de mães, pais e cuidadores, principalmente no discurso materno?. Quais são as questões mais comuns sobre medicalização evidenciadas nas redes maternas? Como as diferenças entre as crianças estão sendo tratadas nas redes? Como acontece a busca por informações na internet por mães, pais e cuidadores e como a medicalização se insere nessa busca? Quais as principais angústias maternas/paternas/de demais cuidadores com relação às diferenças e à medicalização? De que forma o enfrentamento à medicalização tem surgido nas redes maternas? Todos esses assuntos serão tratados nesta oficina, que mesclará discussão teórica à pesquisa prática nas redes, mostrando de que forma o ciberespaço tem representado um  espaço de articulação e enfrentamento da medicalização da infância.

LYGIA VIÉGAS e ANABELA A. C. S. PERETTA – ORIENTAÇÃO À QUEIXA ESCOLAR (TURMA B)

LYGIA DE SOUZA VIÉGAS – Doutora em Psicologia Escolar; Docente da Faculdade Educação UFBA; e ANABELA ALMEIDA COSTA E SANTOS PERETTA – Doutora em Psicologia Escolar; Docente da Universidade Federal de Uberlândia
ORIENTAÇÃO À QUEIXA ESCOLAR

Será apresentada a Orientação à Queixa Escolar -OQE, uma modalidade de atendimento psicológico a crianças e jovens que enfrentam dificuldades em seu processo de escolarização, breve e focal. Orienta-se por uma referencial de compreensão e intervenção em queixas escolares, a partir de demandas individuais, que leva à radicalidade a concepção do Homem como ser que se constitui na relação com o Outro de modo singular. Será apresentada em seus pressupostos teórico-práticos essenciais.
 Nesta abordagem, realiza-se o atendimento de todos os principais envolvidos na rede de relações que produz e mantém ou aprofunda a queixa -geralmente, criança/adolescente, pais e escola. No encontro das diferentes versões surgidas, a queixa é historicizada e problematizada e novos olhares são construídos. Considera-se as diversas dimensões da mesma e suas mútuas determinações, do sofrimento individual aos atravessamentos institucionais e sociais. Pensar o cotidiano da sala de aula tem-se revelado fundamental, assim como o resgate da potência de cada um dos implicados. Perguntas e instrumentos próprios têm sido desenvolvidos.
A medicalização da Educação, a que a OQE vem se contrapondo, merecerá um destaque especial, dado seu notável crescimento recente no âmbito das abordagens às queixas escolares. Assim, a apresentação será feita sempre apontando em que e de que maneira as concepções e práticas expostas constituem uma abordagem antimedicalizante.

LUIZ FERNANDO SILVA BILIBIO – INVENTANDO MODOS DE TRABALHAR COM OS NOVOS “FEIOS, SUJOS E MALVADOS”

LUIZ FERNANDO SILVA BILIBIO – UNISINOS; Consultório de Rua
INVENTANDO MODOS DE TRABALHAR COM OS NOVOS “FEIOS, SUJOS E MALVADOS”
O propósito deste mini-curso é estabelecer uma breve perspectiva da idéia de ‘grande saúde’ – presente na produção filosófica de Friedrich Nietzsche –, enquanto uma ferramenta conceitual de problematização do atual processo de medicalização da vida. A diversidade e a intensidade da existência humana marca a perspectiva de saúde em Nietzsche; aspectos em conflito com a homogeneidade do humano pretendida pela modernidade. A aposta deste encontro é contaminar, com elementos nietzschianos, uma produção coletiva de sentidos direcionada a maneira hegemônica que – no campo da saúde – a diferença é tratada como doença, divergindo para práticas de saúde com maior potencial afirmador da vida.

MARÍA ALICIA TERZAGHI – CRIANÇAS COM PROBLEMAS, CRIANÇAS EM PROBLEMAS. DIAGNÓSTICOS NA PRIMEIRA INFÂNCIA

MARÍA ALICIA TERZAGHI – Universidad de La Plata, Argentina; Forum Infancias, Argentina
CRIANÇAS COM PROBLEMAS, CRIANÇAS EM PROBLEMAS. DIAGNÓSTICOS NA PRIMEIRA INFÂNCIA

Observamos nas últimas décadas a utilização de nomenclaturas e categorias psicopatológicas em idades cada vez mais precoces.
Bebês e crianças pequenas são desde então, “objeto” de intervenções segundo diagnósticos, justificando também um uso cada vez mais precoce de psicofármacos.
Considerando as contribuições da investigação em neurociências (neuroplasticidade, significado do estímulo, experiências precoces, epigenético, etc.) e seu deslocamento à clínica na explicação da ideologia, propomos este espaço para analisar a medicalização da criança e a patologização precoce. Efeitos do diagnóstico como ferramenta ou como obstáculo em tempos de construção da estrutura orgânica e da constituição subjetiva: suposição ou suspeita? Prevenção ou profecia? Entre o medo e a esperança: “o efeito epidemia”. Apresentação e discussão de casos.

MARIA DE FÁTIMA LIMA SANTOS –A MEDICALIZAÇÃO DAS PERFORMANCES DE GÊNERO: ASSUJEITAMENTOS E RESISTÊNCIAS...

MARIA DE FÁTIMA LIMA SANTOS – Mestre em Antropologia, Doutora em Saúde Coletiva; Docente da UFRJ
A MEDICALIZAÇÃO DAS PERFORMANCES DE GÊNERO: ASSUJEITAMENTOS E RESISTÊNCIAS NOS MODOS DE VIDA TRANSEXUAIS

Discutir o processo de medicalização, suas características e dispositivos de controle. Perceber os acoplamentos de poder na passagem do biopoder a biopolítica, pensando a biopolítica na contemporaneidade a partir de novos dispositivos de controle e dos assujeitamentos de outras/novas experiências de desejo. Discutir como se forjou e se legitimou a noção de “transtorno de identidade de gênero” e/ou “disforia de gênero” para expressar, patologizar e medicalizar os modos de vidas transexuais. Pensar possibilidades de resistências no processo de medicalização das transexualidades trazendo para o centro do debate a multiplicidade nas produções dos corpo(s), gênero(s), desejo(s), sexualidade(s), enfim nas vidas.

MARIA TERESA ESTEBAN – A AVALIAÇÃO PARA AS APRENDIZAGENS EM COTIDIANOS ESCOLARES MARCADOS PELA DIFERENÇA

MARIA TERESA ESTEBAN   – Doutora em Educação; Docente da Faculdade Educação da UFF - A AVALIAÇÃO PARA AS APRENDIZAGENS EM COTIDIANOS ESCOLARES MARCADOS PELA DIFERENÇA

O minicurso propõe uma reflexão sobre os diferentes sentidos que a avaliação pode assumir no cotidiano escolar, para ressaltar aqueles que se mostram mais favoráveis à aprendizagem. A avaliação da aprendizagem é um processo colonizado pela meritocracia, que conduz sua dinâmica de classificação e hierarquização dos sujeitos através da individualização dos resultados. Desenvolve-se um conjunto de procedimentos que fragmentam os desempenhos individuais,  os desconectam de suas dimensões sócio-históricas e culturais  e naturalizam a subalternização de sujeitos, processos, práticas e grupos sociais. A ruptura com esse processo demanda a percepção dos mecanismos de negação da alteridade no cotidiano escolar, estruturado por um currículo monocultural.  Ao se entender a dimensão potencial  da diferença no processo pedagógico que se realiza na escola, pode-se reconfigurar o processo de avaliação de modo a fazer da aprendizagem sua finalidade, não um objeto a se mensurar. Nesse sentido, muda-se a perspectiva da avaliação, que passa a demandar procedimentos articulados pelas ideias de participação, cooperação, diálogo e reflexão.  O novo olhar que vai se desenhando na avaliação coloca sob suspeição o conceito de dificuldade de aprendizagem, e as práticas de normalização que o acompanham, e indica o trabalho com a diferença como elemento central numa escola que se pretende democrática.

ROSA SOARES NUNES – UM CÍRCULO DE ESTUDOS E INTERVENÇÃO NA MEDICALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO

ROSA SOARES NUNES – Universidade do Porto, Portugal
UM CÍRCULO DE ESTUDOS E INTERVENÇÃO NA MEDICALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO

- Breve história da sua recente emergência
- O grupo multidisciplinar e a reflexão transdisciplinar:
- O Manifesto
- O acontecer de um devir formativo e auto-formativo.
- O confronto com o discurso da prática numa dialética funcional à (1) replicação da tomada de consciência problematizante e atuante do fenómeno da patologização e medicalização da educação; 2) à produção de conhecimento útil.

ROSANGELA PRIETO – POLÍTICAS EDUCACIONAIS E ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO: IGUALDADE DE DIREITOS E DIREITO...

ROSANGELA PRIETO – Doutora em Educação; Docente da Faculdade de Educação da USP
POLÍTICAS EDUCACIONAIS E ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO: IGUALDADE DE DIREITOS E DIREITO À DIFERENÇA
O propósito do minicurso é explorar efeitos da política de educação especial posterior à Constituição Federal de 1988, no atendimento de seu público-alvo e as relações desta com recortes de gênero, cor/raça, encaminhamentos a serviços substitutivos, complementares e suplementares e suas interfaces com diagnóstico clínico e avaliação pedagógica.

YNAYAH SOUZA DE ARAUJO TEIXEIRA – O PAPEL DO PROFESSOR NA SUPERAÇÃO DO PENSAMENTO MEDICALIZANTE

YNAYAH SOUZA DE ARAUJO TEIXEIRA – Pedagoga; Mestre em Saúde da Criança e do Adolescente; Docente da Anhanguera Educacional
O PAPEL DO PROFESSOR NA SUPERAÇÃO DO PENSAMENTO MEDICALIZANTE
As reflexões aqui apresentadas surgiram de relatos e conversas entre professores sobre os problemas de seus alunos, nas mais diversas situações do cotidiano escolar como problemas de aprendizagem, fracasso escolar, indisciplina, violência,... Relatos estes impregnados de julgamentos preconceituosos e da culpabilização da criança, da sua família ou dos seus problemas de saúde pelos comportamentos “inadequados”, eximindo o sistema escolar de toda responsabilidade pelas dificuldades encontradas no processo educativo. Conversas onde é cada vez maior o número de crianças de quem se diz “que não param”, “que não aprendem”, “que não prestam atenção”, “que fazem bagunça”, “que não tem limites”, “que escrevem errado”, “que não fazem lição de casa”, ”que são imaturas”... Rapidamente são diagnosticadas/rotuladas como portadoras de inúmeros transtornos, distúrbios, síndromes. A criança passa a ser objeto de um olhar que busca o “problema”, o “defeito”, o “comportamento desviante”, daquilo que foge à norma e que, portanto, só pode impedir a aprendizagem. Um olhar que transforma um problema pedagógico, social e político em um problema biológico e individual, isentando e legitimando instituições e programas governamentais, ao afirmar, com respaldo cientificista, que a criança não aprende por um problema seu. Ainda no interior da escola, constatamos que essas crianças, à primeira suspeita levantada, tornam-se imediatamente portadoras da doença suspeitada; “diagnosticadas” pela escola, são encaminhadas para profissionais da saúde, neurologistas, psicólogos, psiquiatras, fonoaudiólogos... Estamos, então, face a face com um processo de medicalização, que consiste exatamente em deslocar problemas sociais e políticos para o campo médico, nele buscando pretensas causas e soluções. Existe, ainda, um agravante: parece ser mais importante justificar o baixo rendimento escolar da criança, isentando a instituição escolar de responsabilidades, do que resolver o problema. O resultado é a difusão acrítica e crescente de "patologias" que provocariam o fracasso escolar. Esta pesquisa destaca a importância da formação do futuro professor, para a superação do pensamento medicalizante, relatando as possibilidades colocadas por um  trabalho pedagógico que abre  espaços para o acontecer destas crianças como sujeitos históricos, sociais e culturais, possibilidades alicerçadas no fato de que os significados das representações, vivenciadas em todos os espaços da vida cotidiana, são construções sociais que se transformam historicamente e que são apreendidas pelos sujeitos.

GT EDUCAÇÃO E SAÚDE/FÓRUM MEDICALIZAÇÃO - RECOMENDAÇÕES DE PRÁTICAS NÃO MEDICALIZANTES...

ALECXANDRA MARI ITO; JASON GOMES R. SANTOS; LUCY DURÓ MATOS ANDRADE SILVA; MARIA ROZINETI GONÇALVES – Membros do da Educação e da Sociedade

RECOMENDAÇÕES DE PRÁTICAS NÃO MEDICALIZANTES PARA PROFISSIONAIS E SERVIÇOS DE EDUCAÇÃO E SAÚDE

Os modelos tradicionais de atuação profissional em Saúde e Educação têm sido alvo de questionamentos que, por um lado, revelam equívocos e ideologias que perpassam os encontros entre estas duas áreas e, por outro, abrem espaço para a construção coletiva de práticas alternativas àquelas que podem ser consideradas hegemônicas.  
É a partir do reconhecimento de tal situação e da constatação da escassez de conhecimentos e práticas que subvertam a lógica medicalizante que se constitui, no interior do Fórumsobre Medicalização da Educação e daSociedade,um grupo com a proposta de elaborar um instrumento capaz de promover avanços na compreensão e no atendimento às questões de aprendizagem, tanto nos ambientes escolares como nos serviços de saúde em que são acolhidas.
Não há quaisquer pretensões de se criar um instrumento inflexível e definitivo, , mas recomendações para atuações dos profissionais nos serviços.  Os apontamentos aqui sugeridos têm por objetivo principal o incentivo à criação de formas de intervenção que considerem a multideterminação dos obstáculos ao processo de escolarização, produzidos e reproduzidos pela escola, saúde e outros setores sociais.  Parte-se do pressuposto de que as questões escolares, enquanto fenômenos que não se encerram numa perspectiva individual, só podem ser compreendidos se remetidas à rede de relações na qual as histórias de produção, manutenção e superação são tecidas.  
Neste minicurso, o Grupo de Trabalho Educação & Saúde compartilhará o material resultante de um processo de trabalho que envolveu diferentes coletivos, com o objetivo de construir novas possibilidades para o emprego deste instrumento que se atualiza em cada discussão proposta.

STEVEN STRAUSS – DISLEXIA: VISÃO MEDICALIZADA VERSUS ENTENDIMENTO SOCIAL

STEVEN STRAUSS – Neurologista; PhD em Linguística, EUA
DISLEXIA: VISÃO MEDICALIZADA VERSUS ENTENDIMENTO SOCIAL

O minicurso abrange uma visão geral do campo da leitura e da escrita, incluindo os problemas que tem sido denominados dislexia. Pretende-se comparar duas abordagens das dificuldades de leitura e escrita: uma, medicalizante dos problemas e que resulta na concepção da dislexia como um problema médico e outra que busca a compreensão social da chamada dislexia como uma forma de fracasso no aprendizado de uma língua específica, no caso uma língua escrita específica. Serão abordadas as características do modelo medicalizado de leitura e escrita, que tem ganhado ainda maior notoriedade através do “paradigma do processamento fonológico”. Também serão apresentados estudos empíricos de leitura e de problemas de leitura. Ao paradigma do processamento fonológico, será apresentada a teoria científica que explica adequadamente os resultados dessas pesquisas.
Além disso, discutiremos os paradigmas científicos da neurologia e da psicologia que fundamentam essas duas abordagens. Os participantes serão convidados a apresentar suas próprias concepções de leitura e dislexia para discussão. Ao comparar e discutir a sucessão de ideias a respeito dos diferentes modelos de leitura e dislexia buscar-se-á novos sentidos para esclarecer as questões envolvidas.

SILVANA NAIR LEITE - USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS: TÉCNICA, ÉTICA E LIMITAÇÕES

Silvana Nair Leite
Doutora em Saúde Pública pela USP; Docente do 
Depto de Ciências Farmacêuticas - Farmácia Escola da Universidade Federal de Santa Catarina;
Presidente da Escola Nacional dos Farmacêuticos

Uso Racional de Medicamentos: técnica, ética e limitações
Conceito e histórico das propostas de aplicação da racionalidade científica no campo da terapia medicamentosa. Estratégias políticas e técnicas adotadas para a racionalização do uso de medicamentos. Questionamentos e limitações acerca do URM.